quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Posted by Mulheres na ciência on 02:09 2 comments

Elisa Esther Habbema de Maia, nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 17/01/1921, filha de Juvenal Moreira Maia e Elisa Habbema de Maia. No ano de 1935, quando cursava o segundo ano do Curso Ginasial na Escola Paulo de Frontin, no Rio de Janeiro, entusiasmou-se pelas aulas de ciência e começou a pensar em fazer o curso superior de Engenharia, carreira que naquela época não era admitida como adequada às mulheres. Elisa não teve incentivo familiar, pois seu pai era um homem tradicional que considerava que a melhor carreira para as mulheres era o casamento. Felizmente,  isso foi compensado pela influência de vários professores que teve nesse colégio, onde foi aluna de Antônio Houaiss (Literatura), Raimundo Paesler (Física) e Osvaldo Frota-Pessoa (História Natural), todos interessados em pesquisa e ensino. Mas sua maior influência foi o famoso professor Plinio Süssekind da Rocha com quem teve aulas de física a partir de 1936, e que muito a incentivou a prosseguir seus estudos naquela matéria. Plinio a acompanhava de perto e a orientava, dando-lhe temas fora do programa para estudar. Assim,  em 1940 prestou exame para a Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi) da Universidade do Brasil, embrião da atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Graduou-se, então, em Física em 1942, sendo juntamente com Sonja Ashauer, que se graduou no mesmo ano na USP, a segunda mulher a graduar-se em Física no Brasil. A primeira havia sido Yolande Monteux, que concluiu o curso de Física na USP em 1938, mas da qual pouco se sabe atualmente.  Ainda durante o curso de graduação, aos dezoito anos, casou-se com professor Osvaldo Frota-Pessoa com quem teve dois filhos: Sonia e Roberto.

Já antes de graduar-se, no segundo ano do curso, foi chamada pelo professor Costa Ribeiro, que reconheceu seu talento para a física experimental,  para ser sua assistente. Trabalhou sem receber salário até que em 1944, foi contratada para lecionar na FNFi. Numa atitude que demonstra que seus pioneirismo e capacidade de superar barreiras que  não se restringiam à escolha profissional, em 1951 separou-se de Osvaldo Frota Pessoa e uniu sua vida à do físico Jayme Tiomno – separações não eram bem vistas pela moral da época, o divórcio sequer  existindo no país -, seu colega na faculdade.
Elisa fez parte do grupo de pioneiros da física brasileira, que se graduaram no início da década de 40, como José Leite Lopes, Jayme Tiomno, Cesar Lattes, Marcelo Damy, Mario Schenberg, Bernardo Gross. Com eles conviveu e desenvolveu sua bem sucedida carreira de física experimental. Entre 1942 e 1969, a física Elisa teve uma história de sucessos pessoais e participou ativamente das lutas para vencer o preconceito contra o trabalho da mulher, assim como o pequeno interesse da sociedade pelo desenvolvimento da ciência. Em 1949, foi uma das fundadoras do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). Em 1950, publica com Neusa Margem (outra pioneira) o primeiro artigo de pesquisa da nova instituição: “Sobre a desintegração do méson pesado positivo”. Esse trabalho obteve pela primeira vez resultados que apoiavam experimentalmente a teoria “V-A” das interações fracas. Um outro trabalho seu, publicado em 1969, pôs fim a uma longa controvérsia sobre a possibilidade do méson p ter spin não-nulo.

Em 1965, Elisa juntou-se a tantos outros acadêmicos e cientistas importantes na experiência inovadora da Universidade de Brasília; acabou aposentada pelo AI-5 em abril, de 1969, quando lecionava e pesquisava na Universidade de São Paulo (USP). Trabalhou em universidades européias e norte-americanas, contribuiu para a formação de dezenas de físicos brasileiros. Recusou-se a pedir anistia, mas em 1980 voltou para trabalhar no CBPF, onde permaneceu até sua aposentadoria compulsória em 1991. Foi nomeada professora emérita e continuou no instituto até 1995. 
   
Suas contribuições mais importantes na pesquisa em física foram: introduziu a técnica de emulsões nucleares no Brasil e a aplicou em vários campos, como física nuclear, biologia, partículas elementares, etc.; um trabalho seu foi o único trabalho brasileiro selecionado para apresentação em plenário na Conferência Internacional de Átomos para a Paz (Genebra 1955); seu trabalho sobre a não existência da assimetria do decaimento Pion – Muon, que encerrou uma longa disputa sobre o spin do méson p , resultou na publicação de dezenas de trabalhos experimentais no Brasil, Estados Unidos e Europa.

Fontes: Site http://ctjovem.mct.gov.br/, acessado no dia 22 de setembro de 2005 e diversas entrevistas concedidas por Elisa a Ligia M.C.S.Rodrigues. Elaborado por Lígia M.C.S.Rodrigues e Hildete Pereira de Melo.

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2 comentários:

  1. Gostaria de sanar uma dúvida que eu suponho ser devida a uma coincidência de nomes parecidos. Eu tive o privilégio de conhecer o Professor Benhard Gross, físico alemão, que se estabeleceu no Brasil a partir de 1933 e se tornou referência internacional com suas pesquisas experimentais e teóricas. Um de seus principais trabalhos sobre as propriedades físicas de materiais dielétricos culminou na invenção do dispositivo denominado por microfone de eletretos, fabricado com filmes de material isolante, tipo teflon. Com certeza este não é o mesmo Bernardo Gross citado no terceiro parágrafo do seu texto, estou certo?

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  2. isso eh ua bosssssssssssssssstttttttttttttttaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

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